Maysa




TRECHOS DE MAYSA


Meu filho. você foi à praia, e não sabe quanto triste eu fiquei...

Todo mundo é dono de você menos eu...
Por minha causa, por eu ser eu, sem vontade nenhuma de ser,
Eu queria que você fosse grande e me dissesse
Tanta coisa banal, eu preciso de você tanto, tanto,
Mas de você grande, amando e sofrendo;
Brigando comingo, chorando comigo
Por eu achar que está errado um cinema sozinho
Mesmo cheio de gente, mas sem eu

Meu filho, você foi à praia.
E eu estou mais sozinha do que nunca;
Antes de sair eu te pus o sapatinho
E antes de você acordar, eu estava deserta de nós.

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Melhor pra você que eu tenha ido embora
Melhor pra você meus versos bem longe dos seus.
Sem chorar, sem pedir para ficar.
Melhor pra você meu beijo ausente.
Melhor pra você que eu sofra sozinha,
que eu chore por nós dois,
morra sem você,
sem te dar trabalho.

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Ouça, vá viver A sua vida com outro bem
Hoje eu já cansei
De pra você não ser ninguém

O passado não foi o bastante
Pra lhe convencer
Que o futuro seria bem grande
Só eu e você

Mas quando a lembrança
Com você for morar
E bem baixinho
De saudade você chorar
Vai lembrar que um dia existiu
Um alguém que só carinho pediu
E você fez questão de não dar
Fez questão de negar

Ouça

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Sinto em mim
um vazio profundo,
desamor pelo mundo,
sinto falta de mim.

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Meu mundo caiu
E me fez ficar assim
Você conseguiu
E agora diz que tem pena de mim

Não sei se me explico bem
Eu nada pedi
Nem a você nem a ninguém
Não fui eu que caí

Sei que você me entendeu
Sei também que não vai se importar
Se meu mundo caiu
Eu que aprenda a levantar

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 Hoje ganhei flor.
De quem não sei ainda.
Sinceramente, prefiro não saber.

Foi tão bonito,
foi tão diferente,
não tendo nome
não sei quem é.

E imagino que seja você,
o meu único “ser feliz”.
Se foi você, amor,
obrigada pela lembrança. Se não foi,
obrigada pela esperança, pela ilusão.

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Me pede amor, só um pouco mais de mim
e eu volto para nossa solidão.

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Estou confusa outra vez.
Já não sei o que fazer de mim .
Já não sei nem mais o que sou.
Se sou alguém . Se sou ninguém.
Estou vivendo de esperar .
por qualquer coisa que não vem .
Não adianta mais chorar,
Bater pé , nem querer bem .
Sigo vivendo de esperar . 

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Sei que o sol
Vai nascer algum dia pra mim
E todo esse mal
Vai deixar-me enfim

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Não há mais tempo para dor,
não há mais nada senão
a imensa vontade de acertar...

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Adeus palavra tão corriqueira
Que diz-se a semana inteira
A alguém que se conhece
Adeus logo mais eu telefono
Eu agora estou com sono
Vou dormir pois amanhece
Adeus uma amiga diz à outra
Vou trocar a minha roupa
Logo mais eu vou voltar
Mas quando
Este adeus tem outro gosto
Que só nos causa desgosto
Este adeus você não dá

Adeus

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Eu não quero ouvir opinião 
de quem não soube o que eu sei,
de quem não viu o que eu vi, 
mas me calei... 
Por isso quero pouco papo 
e muito espaço para espalhar minhas tristezas...

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Falsidade, faça comigo um trato,
mande ao menos um retrato,
quero saber como és...

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Se naquele instante você
estivesse ao meu lado
eu teria te dito qualquer coisa,
meus olhos teriam te olhado
rapidamente, quase desconfiados...
Mas vocês não estava e eu disse:
sabe, como é bom te amar.
como teu corpo me faz falta!
Saber teus olhos nos meus,
tua mão que me insinua
um amanhã desconhecidamente claro, feliz.
Voltei às nossas madrugadas incríveis
e meu peito se encheu de amor
por tudo, pela chuva que caía,
pela madeira que eu tocava
e que será tua transformada em nós
esculpidos, como ficamos naqueles
momentos que não vão passar nunca,
pois nunca nada existiu tanto.
E passei a viver em nós até ver-te
de novo e me entregar a tua vida...


Trechos retirados do livro Maysa 
de Jayme Monjardim



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