Entrevista com Baphomet Engine



Entrevista com Baphomet Engine

Fabio Aurelio S. Japiassu e Luiz Fernando Secchinatto formam o Baphomet Engine desde 2003. Suas influências do heavy metal e do punk rock levaram o som até o gótico e ao dark psychedelic. Em 2005 deixaram os trabalho normais para se dedicar exclusivamente à música. Eles já realizaram uma turnê na Europa e este ano se apresentaram na Índia, em setembro participando de dois eventos. Agora trabalham no Baphomet Horror, juntamente com o indiano Jigar Shah aka Silent Horror, um novo split álbum com previsão de lançamento em 2007 pelo selo australiano Illuminati Records.

A dupla se apresenta na capital de São Paulo pela primeira vez neste fim de semana, na festa Étnica.

01-) Muitos artistas não curtem rotular o som, como você vê essa diferenciação entre o que é dark e o que é fullon night? Ou você acha que isso não existe?
Luiz: Acho que não, alguns artistas conseguem produzir entre o dark e o full on night sempre, mesclando todos os elementos em uma só musica. É bem complexo, algumas pessoas no Brasil dizem que Baphomet Engine é um som dark. Na Índia as pessoas já rotulam como forest. Na Europa existem outros conceitos.

02-) Vocês têm alguma religião?
Luiz: Depende do que você entende por religião. Ter é uma coisa, seguir e praticar é diferente. Você não pode ter uma religião sem praticar. Pode ser simpatizante, mas ser religioso é outra história.

03-) E onde vocês se encaixam nisso? Seguem alguma doutrina? Simpatizam com algo?
Luiz: Sim, temos uma enorme simpatia por Jesus Cristo.

04-) Vocês se conheceram por um amigo em comum, certo?
Luiz: Em 2003, pelo Alysson, do Chipset. A primeira track foi no ano seguinte, em 2004, através do Natty, do selo australiano Alkaloid records.

05-) E como vocês chegaram ao Natty?
Luiz: Na verdade ele chegou até nós!

06-) Como assim?
Luiz: No final de 2003 as nossas duas primeiras musicas, Evilmastermind e The Sexorcist, chegaram nas mãos do Natty através da Internet e ele depois nos contatou querendo ouvir algo novo. Mandamos para ele, ele gostou e pediu uma musica exclusiva. Fizemos, enviamos novamente e ele lançou.

07-) Qual o nome da música?
Luiz: A musica se chama Espanta Santo é de janeiro de 2004, mas foi lançada em Agosto.

08-) Já que a gente tava falando de estilos, é verdade que rola uma rixa entre o dark e o morning?
Luiz: Acho que não. Se rolar é só no ego das pessoas, porque na verdade o dark tem seu público e o morning tem o seu e todos precisam ter respeito. É claro que a tendência no psytrance é de cada vez mais a cena underground ir se separando do mainstream, até porque a proposta é outra. Agora, sobre os estilos não podemos chegar nesse denominador, porque assim como existe o dark underground tem o morning underground e o dark mais comercial. Quem gosta de morning não agüenta passar uma madrugada inteira ouvindo morning e quem gosta de dark não passa o dia todo ouvindo som para noite. Então é impossível alguém querer exaltar ou criar uma pseudo rixa entre os estilos.

09-) E sobre essa explosão de electro na cena psy? Você acha que agrega também?
Luiz: Sim, hoje mesmo conversei com o Bash, um colega dj amigo meu de Brasília sobre isto, o electro está tomando conta aqui.

10-) E o que você acha disso?
Luiz: Difícil, não conheço o eletro para poder dizer se estas fusões com o psytrance agregam em algo. Mas isso vai da cabeça de cada um, talvez quem escute electro possa dizer que o dark não edifica em nada o psytrance. É complicado rotular estilos dentro da música eletrônica, tudo se completa, do lixo ao luxo. Você pode fazer um dark com uma pitada de electro e ainda sim não agradar aos fans do electro.. e vice-versa.

11-) Quais são as gravadoras que vocês tem contrato?
Luiz: Nabi Records (França), Manic Dragon, divisão da Sonic Dragon, que é uma gravadora asiática com sede em Hong Kong. E a Kabrathor Records.

12-) E não é interessante um contrato exclusivo?
Luiz: Uma gravadora não lança mais de cinco coletâneas por ano, então um contrato com exclusividade reduziria os lançamentos de um artista a no máximo cinco, se ele não receber proposta para álbum. Ou seja, a gravadora vai privar seu artista de lançar músicas por outras gravadoras, o que não é bom para ambos os lados. Agora, com artistas renomados, isso pode ser interessante, pois o nome do artista acaba sendo um link com a gravadora e vice-versa, mas isto esta fora do nosso universo, digo do universo do Baphomet, hoje.

13-) Quais foram os lugares que vocês tocaram na Europa e na Índia? Como foi a receptividade do publico?
Luiz: Na Europa tocamos em 2004, em duas festas na Suíça, nos vilarejos entre Sion e Lausanne. Foi muito bom, apesar de termos um som bem inferior naquela época foi uma ótima experiência. Naquele momento percebi que nosso som tinha uma melhor aceitação na Europa, porque a receptividade do público tinha sido bem diferente das festas no Brasil. Na Índia tocamos em New Delhi e em Mumbay, duas festas bem distintas. Em New Delhi foi bem freaky, lembrou muito a Europa. Já em Mumbay foi uma festa mais ao estilo brazuca, pumping, dancing.

14-) O que você acha que falta pro dark ganhar visibilidade no Brasil? Em termos de artistas, produtores e público?
Luiz: Será que o dark quer ganhar visibilidade? Acho que não falta nada, já temos tudo! Bons artistas no gênero, a aceitação do público só vem crescendo, começam a surgir as primeiras labels especializadas, a tendência é essa. Se você atualmente comparar a evolução dos artistas neste gênero e a aceitação do público com dois anos atrás, você vai ver que realmente não falta nada para o dark ganhar visibilidade. Muitos artistas que produzem dark fazem parte da cena underground. No underground não estamos preocupados com a visibilidade, queremos é deixar viáveis os projetos que são bons, sérios e sólidos. Até porque o mainstream vive do underground, tudo que sai do underground vira moda, principalmente na música.

15-) Quais são os bons artistas no gênero?
Luiz: Na cena underground hoje o Andreh, do projeto BASH de Brasília merece destaque. No centro oeste ainda temos o Chipsest e a Dead Tree Productions, com o Manash e o Crovo. Agora no Brasil inteiro temos grandes nomes desde o sul, com o Rodrigo CPU, à Bahia com o Mandala Echoes. Fora a força do sudoeste com Minimal Criminal, Stereographic, Demonizz, Neo Vox, Psynatorium e Cannibal Barbecue.

16-) E me conta da parceria de vocês com o Datakult...
Luiz: Trabalhamos quase cinco meses juntos em um split álbum, tentando trazer algo novo para o pessoal. Esse projeto surgiu através do Emmanuel da Nabi Records. Foi realmente ótimo, porque sempre admiramos o trabalho do Rafa, desde os tempos em que ele produzia pelo Droidsect. Aliás, no split tentamos trazer o espírito e o estilo do Droidsect de volta.

17-) E a escolha do nome, como rolou?
Luiz: Depois um tempo, com duas músicas prontas, eu e o Rafael estávamos pensando em alguma coisa e chegamos ao nome Psytrance is Dead, pois representava nosso sentimento musical naquele momento. Passamos para o Fabio, ele aprovou, e depois foi fácil convencer o Emmanuel de nomear o primeiro álbum da Nabi de Psytrance is Dead.

18-) E esse sentimento musical? Vocês acreditam que musicalmente o psytrance morreu?
Luiz: Não só musicalmente, mas até nas relações entre as pessoas. O grande lance do álbum é que tentamos abrir a mente do público, ou do ouvinte. Podemos dizer que aquilo ali que eles estão ouvindo ainda está baseado no psytrance, mas já é algo bem diferente do psytrance puro. É outro conceito musical.

19-) Qual foi a polemica que o nome gerou no psyshop?
Luiz : Eles não quiseram colocar o álbum à venda porque acharam muito agressivo. Daí o selo tirou todos o catalogo do site e eles voltaram atrás. O problema já foi resolvido.

20-) E quais são os artistas que você curte ouvir fora do psy?
Luiz: Muitos, rock and roll principalmente. De Marcelo Nova a Ramones.

21-) E o estúdio de vocês atualmente é em Brasília? Goiânia?
Luiz: Na casa do Fabio em Goiânia. E eu estou morando em Brasília.

22-) Vocês se encontram sempre? Todo fim de semana?
Luiz: Não, só quando tocamos. Tirando isto nos encontramos uma vez por mês para trocar arquivos das músicas. Tenho um room studio em Brasília e atualmente estamos produzindo separados. Mas sempre produzimos juntos, desde 2003. Só agora que estamos trabalhando separados, apesar de termos terminado o debut álbum juntos, aqui em Brasília.


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